Glifosato, OGM,ambiente e saúde pública

A questão do Glifosato é exemplar. NADA se sabe da composição exacta do Roundup, salvo que contém grande número de “adjuvantes”, porventura tanto ou mais perigosos. Mas sobre os EFEITOS da utilização do produto, isso sim, começa-se a saber MUITO.

E se se sabe, não é graças aos estudos de toxicidade na base dos quais os órgão de controlo da segurança alimentar e ambiental (EPA nos EUA e AFSA na UE), porque esses estudos são elaborados pelo fabricante e são secretos: a UE aceita-os, decide com base neles, mas não pode divulgá-los. Não são publicados em revistas científicas de referência (nem publicados de todo) e escapam assim ao controlo dos trabalhos científicos. Belo exemplo da degradação das instituições, nomeadamente europeias.

Apresentado como “o menos tóxico” dos pesticidas, a propaganda a favor do glifosato, vendido numa fórmula química secreta sob o nome comercial de “Roundup” pretende que este pesticida, associado à produção de plantas OGM, seria uma solução “ecológica”. Vai-se ao ponto de pretender que dessa associação (Roundup+sementes OGM “roundup-ready”) depende a alimentação do planeta, na actualidade e sobretudo no futuro, com o aumento previsto da população mundial. A opção técnica que consiste em aplicar sistematicamente  o roundup para eliminar toda a vegetação adventícia (“ervas ruins”) antes de semear directamente as sementes OGM resistentes ao glifosato “pouparia” combustível (lavoura – mas o custo energético do produto químico é silenciado) e diminuiria a erosão dos solos. Esquecem-se os factos comprovados: aparecimento de estirpes de infestantes resistentes (“super-infestantes”), a acumulação do produto químico no solo, as graves consequências para a biodiversidade, os danos à fauna aquática e anfíbia, a contaminação das variedades cultivadas tradicionais pelos genes manipulados (perigo de extinção das variedades tradicionais no caso dos milhos autóctones meso e sul-americanos, etc.).

Aos quais acrescem os dano à saúde pública, a começar pelos agricultores que o utilizam, mas não só (exposição involuntária às dispersões aéreas, etc.). Com argumentos jurídicos reforçados pela recente directiva da UE sobre o “segredo dos negócios“, a companhia que o produz e vende recusa comunicar a sua composição e opõe-se assim a que a investigação sobre os efeitos sobra a saúde pública seja conduzida, senão às cegas.

Outra questão, mais difícil, é a de saber QUEM JULGARÁ os criminosos ambientais? Iniciativas em marcha. questão de tempo.

 

 

Trente témoins venus d’Argentine, du Sri Lanka ou de France ont défilé pendant deux jours à La Haye devant des juges professionnels chargés d’une mission…
mediapart.fr
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